domingo, 23 de março de 2014

MUSEU REPUBLICANO - ITU - 23/03/2014

Em visita ao Museu da República, no Palácio do Catete - RJ, vi algumas referências ao Museu Republicano, em Itu. Por isso, agendei uma visita na mesma semana, aproveitando que as informações estavam bem 'frescas' na memória. 

Como de praxe, antes de partir, fiz algumas pesquisas e descobri coisas bem interessantes sobre o Museu e cidade. 

Histórico

O casarão, que abriga o museu, foi construído em meados do século XIX (1824) e serviu mais tarde de residência para a família Almeida Prado. 

Sua história e importância estão intrinsecamente relacionada a Proclamação da República, devido a uma reunião que ocorreu por lá no dia 18 de abril de 1873. Esta 'Convenção', como hoje é citada, contou com a participação de políticos e fazendeiros de café para uma discussão e idealização de uma política republicana, que pudesse substituir o sistema imperial, existente até então. É considerada a primeira reunião republicana do Brasil e, à partir desta data, criou-se o partido republicano verdadeiramente organizado. Houveram 133 pessoas nesta convenção, das quais 78 eram cafeicultores e 55 de outras profissões. Um fato que achei muito interessante, é que esta reunião foi grandemente facilitada devido a criação da Companhia Ytuana de Estrada de Ferro - Ferrovia de Itu (1870), afinal, sem este poderoso meio de condução, teria sido muito difícil reunir tantas pessoas de localidades diferentes. Na época, a linha interligava os trechos entre Jundiaí e Itu. 

http://historiasdeitu.blogspot.com.br/2012/04/cia-ytuana-de-estradas-de-ferro.html
O Museu Republicano foi inaugurado pelo presidente Washington Luis (presidente de São Paulo), em 19 de abril de 1923 e foi incorporado a USP em 1963. Aliás, devemos a atual organização a Universidade, pois diferente disso, com certeza o local estaria 'jogado às traças'.

Arquitetura

O casarão foi construído originalmente em taipa de pilão e pau-a-pique. Mais tarde, em 1867, foi reformado. De acordo com alguns registros, nesta data foram instalado adornos e possivelmente os azulejos portugueses na parte superior. Achei muito interessante descobrir que, embora o hábito de cobrir uma fachada interna era de fato português, foi no Brasil que passou a ser instalado externamente e daqui a 'moda' migrou para lá. 

Para a criação do Museu, em 1922, o local passou novamente por uma reforma, desta vez sob a supervisão de Affonso de E. Taunay (diretor do Museu Paulista). Em seu pátio interno, foi criado um pequeno jardim, inspirados nos jardins franceses, no qual foi instalado um conjunto de esculturas denominada "As Estações". 




Cada estátua significa uma estação do ano
A entrada do museu é gratuita, o que é maravilhoso! No entanto, quase 'pirei' ao ver uma imagem proibindo fotografia dentro do Museu. Acho isso um absurdo! Proibir flash, eu concordo, mas a fotografia?!? Que despropósito! Museus como Louvre, o próprio Vaticano permite... mas enfim...

As fotos a seguir, 'emprestei' do site da cidade de Itu, visto que fui proibida de fazer as minhas (#revoltada):

Saguão de entrada

A azulejaria ornamentada no interior do museu foi concebida com uma sequência de imagens narrativas de momentos importantes da história de Itu. Vão desde a fundação da cidade, em 1610, até a reunião do partido em 1873.










O ambiente mais aguardado é, com certeza, o local onde foi realizada a famosa Convenção de Itu. A sala foi reproduzida tendo como base uma pintura em tela da época:


http://www.usp.br/imprensa/?p=1544




Bom, não encontrei muitas outras fotos... por isso, vá até Itu e confira de perto. Apenas uma dica: assista um filme na sala, ao lado direito, antes de começar a visita. Este explicará detalhes, da cidade e museu. 


http://mr.vitis.uspnet.usp.br/index.php/exposicoes.html

A grande vantagem é que, além do Museu, Itu tem muitos outros locais para se visitar e 'pode' fotografar. Assim que terminamos a visita, seguimos em direção ao Centro e este foi o resultado.

Monumentos Históricos

A Casa do Barão é onde abriga o Centro de Estudos do Museu Republicano. A construção é da década de 1940 e substituiu outra casa do séc. XIX, cujo dono era o Sr. Barão do Itaim. Infelizmente a casa encontra-se aberta apenas durante os dias de semana, seg. a sex. das 8h às 17h. 


Casa do Barão - USP
Casa do Barão - USP
Casa do Barão - USP
Praça da Fonte


Monumento em homenagem ao fundador da cidade: Domingos Fernandes

 Igreja Matriz

Pelo conjunto arquitetônico, talha, decoração e equipamentos, esta igreja pode ser considerada nosso maior patrimônio 'barroco paulista'. Concluída em 1780, foi patrocinada pelos engenhos de açúcar que fizeram parte da riqueza ituana no séc. XVII. 


http://www.itu.com.br/guia/detalhe.asp?c=675
Praça Matriz

http://www.itu.com.br/guia/detalhe.asp?c=1543
Coreto Praça da Matriz

Museu da Energia

Construído em 1847, com azulejos na fachada, foi vendido no início do séc. XX à Companhia Ituana de Força e Luz. Foi incorporado à Light e Eletropaulo e mais tarde, em 1998, foi incorporado a Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo. No ano seguinte foi transformado em Museu. Além da exposição didática, o museu apela ao uso racional da energia e conta a evolução na história da iluminação, com objetos e equipamentos utilizados durante os séc. XIX e XX. Infelizmente não entramos, mas parece ser bem bacana!


Um passeio pelas mudanças culturais que o consumo de energia elétrica provocou na vida da sociedade de 1850 a 1950. 
Igreja do Bom Jesus
Esta igreja tem como origem a capelinha construída pelo fundador da cidade, Domingos Fernandes. A construção se deu à partir de 1825, devido a antiga capela estar muito danificada. 




Lojas, Restaurante e Café

A rua em frente a Igreja Matriz, possui umas lojas bem legais! Abaixo a foto do Lara Studio, cujo artista nos recebeu maravilhosamente bem, apresentando suas obras de arte. Ele segura uma releitura bem divertida do quadro 'O Grito', de Edvard Munch.





Há também outra loja, ao lado do Studio, que quase me levou a loucura! Há muitos itens de decoração e os preços não são 'ruins'... 



O prato tradicional de Itu é a 'parmegiana'! Dizem que a melhor é servida no restaurante Alemão... Pena que ainda não consegui reunir recursos para descobrir...


Soubemos também, que aqui se serve o melhor café da região e fomos conferir. 





 Passeio da Paulistinha

Este ônibus (modelo ano 1960), faz um passeio de aproximadamente 40 minutos, passando por alguns pontos turísticos. Seu ponto de partida é na Praça da Matriz e custa R$ 10,00 por pessoa. Quem coordena o passeio é um casal muito divertido... ela dirigindo e ele monitorando a visita, contando de forma bem interativa histórias da cidade e casos divertidos... 



Praça dos exageros

Parque temático, criado recentemente, com entrada gratuita. Local muito divertido para crianças e adultos!

(http://www.itu.com.br/guia/detalhe.asp?c=2785)







Enfim, há muito o que fazer em Itu, vá conhecer!!

Fonte de Pesquisa:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_de_Itu
http://www.itu.com.br/hotsite/default.asp?id=47&cod_pagina=131
http://www.infoescola.com/historia/convencao-republicana-de-itu/
http://mr.vitis.uspnet.usp.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Ytuana_de_Estradas_de_Ferro
http://historiasdeitu.blogspot.com.br/2012/04/cia-ytuana-de-estradas-de-ferro.html
http://mr.vitis.uspnet.usp.br/images/stories/arquivos/Azulejos.pdf
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35&sid=88
http://mr.vitis.uspnet.usp.br/images/stories/arquivos/Restauracao.pdf
http://mr.vitis.uspnet.usp.br/index.php/home/imagens-do-museu/category/1-galeria-de-imagens.html

quarta-feira, 19 de março de 2014

MUSEU DA REPÚBLICA, PALÁCIO DO CATETE - RIO DE JANEIRO - 19/03/2014

Meus planos para a semana aqui no Rio de Janeiro, incluía uma visita ao Museu Histórico Nacional. Achei que seria possível por estar localizado bem próximo ao hotel onde estaria hospedada, Ibis. A razão de querer conhecê-lo, em grande parte se deu devido a uma indicação vinda, nada mais nada menos, de Laurentino Gomes (escritor dos livros 1808, 1822 e 1889). Em um dia de autógrafo, em Itu, o próprio me teria dito que boa parte do acervo histórico, da época da monarquia, estão disponíveis nos museus em Petrópolis e no Museu Histórico. Infelizmente os horários de abertura não foram compatíveis com o meu e, por isso, lamentavelmente ficará para uma próxima. 

No entanto, descobri que há um museu muito interessante na quadra ao lado do Hotel Regina, onde estou ministrando o treinamento. Trata-se do Museu da República. Como neste momento estou lendo  o livro 1889, justamente sobre a Proclamação da República, acho que poderá agregar. Por isso, na volta do Real Gabinete de leitura, como passei em  frente, verifiquei horários, preço do ingresso e aproveitei para tirar umas fotos da fachada e dos jardins. 





Fiquei muito animada e, no dia seguinte, tive uma surpresa muito boa. Ao chegar, descubro que quarta-feira é o dia da cultura e, por isso, o ingresso é gratuito. 


Hitórico

Sede do poder público por mais de 63 anos, este prédio foi construído entre 1858 e 1867 por um comerciante e fazendeiro do café chamado Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo. Erguido no RJ, enquanto Capital Imperial, tornou-se símbolo econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil. O projeto inicial foi trabalho do arquiteto Gustav Waehneldt. 

Mais tarde, após a morte do Barão e sua esposa no ano de 1889, o Palácio foi vendido à Companhia Grande Hotel Internacional e antes que fosse instalada qualquer empresa hoteleira, foi comprado pelo maior acionista desta companhia. Somente em 1896, durante o mandato do então presidente Prudente de Moraes, foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República, anteriormente instalada no Palácio do Itamaraty. Com este fim, uma ampla reforma foi executada, desta vez, por orientação do engenheiro Aarão Reis que contou com a importante participação de pintores brasileiros como Antonio Parreiras e Décio Villares, além do paisagista PaulVillon, responsável pela remodelação dos atuais e belos jardins.  Após concluído, o local seria a futura morada de presidente e familiares. Em 1938, o Palácio e seus jardins seriam tombados como patrimônio histórico.  

O Palácio do Catete, como é conhecido, foi palco de intensas articulações políticas, como as declarações de guerra à Alemanha, em 1917, e ao Eixo, em 1942. Nesse mesmo ano, a implantação do Cruzeiro como sistema monetário do Brasil também foi apresentada à partir daqui. 

Em 1914, houve um sarau que gerou grande repercussão, organizado por Nair de Teé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, onde foi executado o "Corta-Jaca", música muito animada de Chiquinha Gonzaga, compositora e maestrina carioca. Foi a primeira vez que a música popular foi apresentada nos salões de um Solar aristocrático. 


Além de festas, houveram também memórias de momentos de consternação, como no velório do presidente Afonso Pena, em 1909 e com certeza o mais marcante: o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, desfecho de uma das mais contundentes crises político-militares republicanas. 

Vários presidentes utilizaram suas instalações até que Juscelino Kubitschek encerra a era presidencial neste edifício transferindo para a atual Capital Federal - Brasília, em 21 de abril de 1960. Após esta data, o local foi organizado para receber o Museu da República, inaugurado em 15 de novembro de 1960, em comemoração ao aniversário da Proclamação. O local permaneceu fechado durante 5 anos para reestruturação e restauro, à partir de 1983, e foi reaberto no centenário da proclamação, em 1989.

Visitação

O andar térreo, que compreende Hall de entrada e o Salão Ministerial, mantém um clima solene de reuniões e decisões capitais para o destino da nação.

A esquerda, na primeira sala, encontramos um quadro lindíssimo dos primeiros proprietários do antigo casario, o Barão de Friburgo e sua esposa. É um quadro muito grande e rico em detalhes e perfeição, muito próximo a uma fotografia. 



Na sequência, passamos por uma exposição de longa duração histórica sobre a Memória da Casa: Residência, Presidência e Museu. 













Na sala seguinte (5), encontramos a exposição 'A Res Publica Brasileira', referindo-se às republicas idealizadas mas não concretizadas:



Nesta sala, há também uma escultura de Tiradentes, com um texto na parte de trás, que transcreve a sentença de morte ao alferes, por sua participação ao movimento conhecido como Inconfidência Mineira. 



Ao entrarmos na próxima sala, fiquei maravilhada com o que vi! Do teto a mesa, do chão à parede, que lindo! Trata-se da sala (7), que denomina-se Salão Ministerial:





Legenda do quadro acima:



Tanto na sala a seguir, como nesta mesma sala, há Símbolos da República Proclamada em 1889.


Deodoro da Fonseca - Proclamador da República
Floriano Peixoto - Primeiro Vice Presidente e Segundo Presidente. Conhecido como Marechal de Ferro
Marianne, símbolo da República
Anterior Hino, sofreu mudanças na letra
Brasão representando a República Velha (1889 a 1930)
Desta sala, é possível ver o belo jardim...


Nos salões de 8-10, há uma exposição temporária sobre a importância das CLT's - leis trabalhistas, em favor do trabalhador. 



O último monumento, antes de retornarmos ao Hall de entrada, é uma escultura de Perseu libertando Andrômeda (mitologia):

Artista brasileiro Prof. Chaves Pinheiro, séc. XIX
Ao voltamos ao Hall, observo melhor a escada. Em volta dela, há quadros dos 13 presidentes da República Velha (1889 a 1930): 


A escadaria é simplesmente linda! Todos os detalhes entalhados, chamam muito atenção. A mesmo foi fundida e pré-moldada na Alemanha.



Meu amigo Ondinato Pereira, que me fez companhia, e eu
Descobri que minha amiga Márcia não conhecia... por isso, voltei com ela no dia seguinte!

O segundo andar, é denominado Andar Nobre, devido ao luxo. 

Capela

Na época do Império, era comum incluir no projeto de uma residência uma capela para culto particular do proprietário. No entanto, normalmente ela não fazia parte do complexo. No palácio de Friburgo, a mesma foi idealizada dentro da casa, entre uma galeria e uma sacada, para tentar manter a privacidade. Sua decoração remete a temas religiosos. 


Salão Azul ou Salão Frances

Móveis seguem estilo de Luís XVI e Luís XVII
Salão Nobre

Local onde foram realizadas festas e comemorações de posses
Salão Pompeano

Decoração imitando pinturas murais encontradas em Pompéia
Salão Veneziano



Salão Mourisco

Salão baseado na decoração do Palácio de Alhambra, Granada
Salão dos Banquetes



Cristaleira encomendada da França
Elevador Presidencial

Interligava os três pavimentos
Gabinete de Getúlio Vargas



O terceiro andar, ganha destaque a galeria claraboia, a reconstituição do quarto de Getúlio Vargas e aspectos culturais do Brasil Republicano. 

Quarto de Getúlio Vargas


Ao entrarmos no quarto de Getúlio, ouvimos uma voz, dramática, lendo a carta de suicídio. Há também uma música de fundo, que nos gera um sentimento um tanto estranho. 

"Eu vos dei minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar da História."







Vídeo bacana que conta história de G.V.

Visão da Claraboia




À partir daqui, tem mais umas salas com a exposição Res Pública.

Trajes de Deodoro da Fonseca
Caricatura de D. Pedro II

O museu é mesmo incrível! As salas, os móveis, as histórias contidas, nos levam ao passado de uma forma muito curiosa. Deixo um incetivo a todos para que visitem-no, pois vale muito a pena! 

Fonte de pesquisa:
Folder recebido na entrada no Palácio: